SAIBA MAIS SOBRE A VACINA PREVENTIVA PARA HERPES ZÓSTER
Por Dr. Guido Carlos Levi1
Já se encontra disponível uma vacina destinada à prevenção do Herpes zoster. É importante, portanto, que se respondam algumas perguntas que surgirão naturalmente em relação a esse novo tipo de imunização: Por quê? Para quem? Quando?
Por quê?
É sabido que o mundo está “envelhecendo”, com um aumento progressivo no percentual de idosos, que são justamente o grupo etário com maior risco de ter zoster e também com maior gravidade dos acometimentos. Cerca de 10 a 20% da população global terão zoster durante a vida, porém, mais de 67% dos casos ocorrem em maiores de 50 anos. Para indivíduos que viverem até os 85 anos, haverá uma possibilidade de 50% de serem acometidos por essa patologia.
Para termos idéia do que isso representa, em números absolutos, basta citar a incidência anual nos EUA – 800.000 casos – e na Europa – 1.800.000 casos.
Esses dados adquirem maior significado se lembrarmos que essa doença, causada por uma recrudescência da infecção pelo vírus da varicela (catapora), pode causar sérios transtornos, em particular, a neuralgia pós-herpética. O risco dessa complicação varia conforme as estatísticas entre 5 e 50% dos casos, sendo tanto mais frequente quanto maior a idade: 20% nos maiores de 50 anos, 80% nos acima de 70 anos. Na Europa, calcula-se ocorrerem anualmente cerca de 320.000 casos.
Esse desagradável evento pode levar a um profundo impacto na qualidade de vida da pessoa acometida, pois produz um quadro doloroso, muitas vezes intenso, que, pela sua gravidade, pode ser acompanhado de fadiga crônica, perda de apetite e, consequentemente emagrecimento, problemas psicológicos, basicamente depressão. Além disso, pela limitação da atividade física e o tempo variável, porém, às vezes, longo de repouso no leito, pode ocorrer uma considerável perda da força muscular.
Ressalte-se, também, que a prevenção da neuralgia pós-herpética é difícil, pelo início, às vezes atípico da doença, pela frequente demora em procurar o médico e pela possível demora no início da medicação. Além disso, os antivirais não têm eficácia segura nessa situação.
O tratamento da neuralgia também é problemático, pois tem eficácia duvidosa, é muito prolongado, não é desprovido de efeitos colaterais, nem de interações medicamentosas.
Assim sendo, compreende-se o interesse por uma vacina que possa prevenir o herpes zoster e suas complicações. Esta vacina, que agora se torna disponível, nada mais é do que a própria vacina da varicela, cepa Oka/Merck, porém com conteúdo cerca de 14 vezes maior do agente imunizante.
Os estudos iniciais tiveram como finalidade avaliar sua eficácia na redução do zoster em indivíduos com 60 ou mais anos de idade. Na investigação de Oxman e cols. publicada em 2005 (N.Engl.J.Med.2005;352:2271-84) foram incluídos 38.546 indivíduos, dos quais 19.270 receberam a vacina e 19.276 receberam placebo (substância inerte) e serviram de grupo de controle. O seguimento pós-vacinação foi em média de 3,1 anos, tendo completado o estudo 18.359 participantes do grupo vacinal e 18.357 do controle (placebo).
Observou-se no grupo dos que receberam o agente imunizante uma redução de 51,3%, em relação ao número de casos de zoster, e de 66,5% para a neuralgia pós-herpética. Nos participantes com 70 ou mais anos de idade houve menor benefício para o zoster, porém, igual para a neuralgia. Observou-se, também, uma discreta redução da eficácia após o primeiro ano de vacinação, com estabilização a seguir.
Em relação à segurança da vacina, os efeitos colaterais foram de pouca expressão e limitados às reações de dor e inchaço no local da aplicação. Quanto às reações sistêmicas, não houve diferença em relação ao grupo-controle.
Os casos de zoster nos vacinados foram sempre pelo vírus selvagem, nunca pelo vacinal. Não há evidências de que este possa estabelecer latência e é muito raro que possa ser transmitido secundariamente para contactantes das pessoas imunizadas.
Assim sendo, a vacina é recomendada para todos os indivíduos não imunocomprometidos com idade de 60 anos ou mais. Mais recentemente esta vacina foi aprovada para aplicação a partir dos 50 anos. Até o momento, a recomendação é de dose única.
O custo da vacina nos países onde está disponível é elevado. No entanto, este valor deverá ser cotejado com os custos envolvendo a doença (nos EUA 400 a 500 dólares/caso) e das possíveis complicações, que elevam esta quantia em três a quatro vezes.
Já se encontra disponível uma vacina destinada à prevenção do Herpes zoster. É importante, portanto, que se respondam algumas perguntas que surgirão naturalmente em relação a esse novo tipo de imunização: Por quê? Para quem? Quando?
Por quê?
É sabido que o mundo está “envelhecendo”, com um aumento progressivo no percentual de idosos, que são justamente o grupo etário com maior risco de ter zoster e também com maior gravidade dos acometimentos. Cerca de 10 a 20% da população global terão zoster durante a vida, porém, mais de 67% dos casos ocorrem em maiores de 50 anos. Para indivíduos que viverem até os 85 anos, haverá uma possibilidade de 50% de serem acometidos por essa patologia.
Para termos idéia do que isso representa, em números absolutos, basta citar a incidência anual nos EUA – 800.000 casos – e na Europa – 1.800.000 casos.
Esses dados adquirem maior significado se lembrarmos que essa doença, causada por uma recrudescência da infecção pelo vírus da varicela (catapora), pode causar sérios transtornos, em particular, a neuralgia pós-herpética. O risco dessa complicação varia conforme as estatísticas entre 5 e 50% dos casos, sendo tanto mais frequente quanto maior a idade: 20% nos maiores de 50 anos, 80% nos acima de 70 anos. Na Europa, calcula-se ocorrerem anualmente cerca de 320.000 casos.
Esse desagradável evento pode levar a um profundo impacto na qualidade de vida da pessoa acometida, pois produz um quadro doloroso, muitas vezes intenso, que, pela sua gravidade, pode ser acompanhado de fadiga crônica, perda de apetite e, consequentemente emagrecimento, problemas psicológicos, basicamente depressão. Além disso, pela limitação da atividade física e o tempo variável, porém, às vezes, longo de repouso no leito, pode ocorrer uma considerável perda da força muscular.
Ressalte-se, também, que a prevenção da neuralgia pós-herpética é difícil, pelo início, às vezes atípico da doença, pela frequente demora em procurar o médico e pela possível demora no início da medicação. Além disso, os antivirais não têm eficácia segura nessa situação.
O tratamento da neuralgia também é problemático, pois tem eficácia duvidosa, é muito prolongado, não é desprovido de efeitos colaterais, nem de interações medicamentosas.
Assim sendo, compreende-se o interesse por uma vacina que possa prevenir o herpes zoster e suas complicações. Esta vacina, que agora se torna disponível, nada mais é do que a própria vacina da varicela, cepa Oka/Merck, porém com conteúdo cerca de 14 vezes maior do agente imunizante.
Os estudos iniciais tiveram como finalidade avaliar sua eficácia na redução do zoster em indivíduos com 60 ou mais anos de idade. Na investigação de Oxman e cols. publicada em 2005 (N.Engl.J.Med.2005;352:2271-84) foram incluídos 38.546 indivíduos, dos quais 19.270 receberam a vacina e 19.276 receberam placebo (substância inerte) e serviram de grupo de controle. O seguimento pós-vacinação foi em média de 3,1 anos, tendo completado o estudo 18.359 participantes do grupo vacinal e 18.357 do controle (placebo).
Observou-se no grupo dos que receberam o agente imunizante uma redução de 51,3%, em relação ao número de casos de zoster, e de 66,5% para a neuralgia pós-herpética. Nos participantes com 70 ou mais anos de idade houve menor benefício para o zoster, porém, igual para a neuralgia. Observou-se, também, uma discreta redução da eficácia após o primeiro ano de vacinação, com estabilização a seguir.
Em relação à segurança da vacina, os efeitos colaterais foram de pouca expressão e limitados às reações de dor e inchaço no local da aplicação. Quanto às reações sistêmicas, não houve diferença em relação ao grupo-controle.
Os casos de zoster nos vacinados foram sempre pelo vírus selvagem, nunca pelo vacinal. Não há evidências de que este possa estabelecer latência e é muito raro que possa ser transmitido secundariamente para contactantes das pessoas imunizadas.
Assim sendo, a vacina é recomendada para todos os indivíduos não imunocomprometidos com idade de 60 anos ou mais. Mais recentemente esta vacina foi aprovada para aplicação a partir dos 50 anos. Até o momento, a recomendação é de dose única.
O custo da vacina nos países onde está disponível é elevado. No entanto, este valor deverá ser cotejado com os custos envolvendo a doença (nos EUA 400 a 500 dólares/caso) e das possíveis complicações, que elevam esta quantia em três a quatro vezes.
1 Médico Infectologista, doutor em Medicina pela Unicamp; Médico da Clínica Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias e em Imunizações (CEDIPI), São Paulo.
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